Por Erick Rodrigues

Com todos os vencedores anunciados e colhendo os frutos de estarem entre os melhores do cinema, o Oscar 2018 também confirmou o nome de uma das maiores perdedoras do prêmio da Academia: Meryl Streep.

Se consideradas apenas as categorias de atuação, ela ocupa o posto mais alto do pódio, reforçado pela derrota deste ano para a colega Frances McDormand, escolhida pelo desempenho em “Três Anúncios Para um Crime”.

Com a personagem de “The Post – A Guerra Secreta”, Meryl bateu o próprio recorde e se tornou a atriz com mais indicações, tendo sido lembrada por 21 personagens. Há, no entanto, o lado “ruim” dessa estatística: manteve o posto de maior perdedora da história do prêmio, já que levou apenas três estatuetas para casa.

Há muito tempo, Meryl Streep se tornou a campeã de indicações, deixando para trás astros como Jack Nicholson e Katharine Hepburn, que foram lembrados 12 vezes cada um pelos votantes da Academia. As vitórias em “Kramer versus Kramer”, “A Escolha de Sofia” e “A Dama de Ferro” ainda não conseguiram superar o recorde de Hepburn, premiada em quatro oportunidades.

Elogiada pelas duas primeiras atuações que lhe renderam estatuetas, Meryl tem na vitória por “A Dama de Ferro”, filme em que interpretou a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, o êxito mais controverso. Sempre competente, a atriz foi agraciada com o prêmio no ano em que, honestamente, não teve o melhor desempenho entre as concorrentes. Em 2012, o grande destaque da categoria era Viola Davis, que protagonizou “Histórias Cruzadas”.

De fato, a Margaret Thatcher de Meryl, apesar de convincente, não é um grande papel da carreira da atriz e é geralmente lembrado apenas pela estatueta que rendeu a ela. Em, pelo menos, quatro outras oportunidades, a atriz mostrou que merecia mais ser premiada com o Oscar, mas acabou apenas contabilizando derrotas para o recorde negativo.

Abaixo, quatro filmes com personagens de Meryl Streep que, desconsiderando as concorrentes, mereciam ter aumentado o número de estatuetas da atriz:

Foto: Divulgação

– Álbum de Família

Em 2014, ano em que Cate Blanchett levou o Oscar por “Blue Jasmine”, Meryl Streep concorria por uma das maiores personagens da carreira. Em “Álbum de Família”, a atriz viveu a principal figura feminina de uma família, reunida para o velório do patriarca. Em tratamento para curar um câncer, a personagem cruel e verborrágica estabelece uma relação conflituosa com as filhas, especialmente com a mais velha, vivida por Julia Roberts. No encontro para o funeral, a família mostra os lados bom e ruim da convivência, que envolvem afeto e ressentimentos na mesma intensidade. Diálogos fortes e longos marcam esse filme, que também traz um elenco inspirado.

Foto: Divulgação

– Dúvida

Ao lado de Philip Seymour Hoffman e Amy Adams, Meryl Streep forma o elenco desse drama em torno de uma suspeita. Uma freira, vivida pela recordista de indicações, desconfia da relação entre um padre (Hoffman) e um aluno da escola católica em que lecionam. Mesmo não tendo provas concretas de abuso infantil, a personagem começa uma jornada particular para expor a conduta do padre, até então considerado o responsável por mudar algumas das regras mais rígidas da comunidade católica local. Com figurino e movimentos limitados, Meryl consegue transmitir toda a rigidez e sentimentos da personagem com o olhar, sendo responsável por algumas das melhores sequências do filme, que também traz Viola Davis em uma participação especial.

Foto: Divulgação

– O Diabo Veste Prada

É claro que “O Diabo Veste Prada” nem pode ser considerado um filme para estar em premiações, mas o fato é que Meryl Streep conseguiu uma indicação ao Oscar pela interpretação da editora Miranda Priestly, que atormenta a vida da assistente vivida por Anne Hathaway. Justiça seja feita, a lembrança da Academia foi merecida. Lidando com um personagem que facilmente poderia cair na caricatura, Meryl conseguiu emprestar humanidade à diabólica editora. Em muitas cenas, os sentimentos contraditórios da personagem aparecem através de reações sutis e olhares profundos. Pena que, em 2007, ela não teve a menor chance contra a favorita Helen Mirren, que ganhou uma estatueta por “A Rainha”.

Foto: Divulgação

– A Mulher do Tenente Francês

Fazendo par com Jeremy Irons, Meryl Streep emplacou uma indicação pelo filme que conta a história de dois atores que interpretam um casal do século XIX. Enquanto vivem uma relação complicada durante as filmagens de um longa, os personagens também passam por problemas no relacionamento. Lançado em 1981, “A Mulher do Tenente Francês” é um grande trabalho da atriz, que, na ocasião recebia a sua terceira indicação da carreira e, talvez, nem soubesse que viriam tantas outras mais pela frente.