“Selma” e a necessidade de propagar a inspiração de Martin Luther King

David Oyelowo vive Martin Luther King em "Selma" - Divulgação

Por Erick Rodrigues

“A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar”. Essa frase é do pastor protestante Martin Luther King, que se tornou um dos mais conhecidos nomes do ativismo político mundial. Ele esteve envolvido nas principais lutas contra a segregação racial e os direitos civis dos negros nos Estados Unidos, mas, como bem reflete a frase inicial, fazendo isso, também estava combatendo toda e qualquer injustiça.

Há exatos 50 anos, depois de assumir o protagonismo de discursos e momentos importantes da luta pelos direitos civis, King foi assassinado na varanda de um hotel em Memphis, no estado norte-americano do Tennessee.

Algo, no entanto, deu errado no plano. Ao tentar calar uma das principais vozes que clamavam por justiça e igualdade de direitos, os conspiradores só a deixaram mais alta. Mesmo assim, em todo o mundo, a luta contra as injustiças, sejam elas quais forem, continuam sendo necessárias diante de tantas manifestações de ódio e preconceito.

Com o mesmo grau de necessidade, para combatermos essas situações, precisamos da inspiração e do exemplo do ativista que, em 1963, em um discurso histórico, revelou o sonho por um mundo de direitos iguais.

Uma das formas de se inspirar com o exemplo de King é assistir ao filme “Selma”, da diretora Ava Duvernay e vencedor do Oscar de melhor canção original pela igualmente inspiradora “Glory”, música de John Legend e Common.

Foto: Divulgação

No longa, vemos King (David Oyelowo), já reconhecido com o Prêmio Nobel da Paz, envolvido na luta para garantir o direito de voto aos negros. Diante de negativas do presidente Lyndon Johnson (Tom Wilkinson) em propor uma legislação sobre o tema, o ativista decide mobilizar a comunidade para mostrar a importância da igualdade.

Para isso, King e seus seguidores escolhem como base a cidade de Selma, no Alabama, um estado sulista majoritariamente racista. A intenção do grupo é fazer uma marcha até Montgomery, a capital do estado, mas a primeira tentativa é frustrada.

Violência, intolerância e mortes marcam a luta dos ativistas pelo direito ao voto, que, com resistência, conseguem cruzar uma ponte em direção ao ideal.

“Selma” é um filme forte, que impressiona com um roteiro que valoriza momentos marcantes sobre o episódio e a discussão do tema. O grande mérito desse resultado é da diretora, que filma com um olhar quase documental e sabe valorizar sequências e diálogos.

A principal qualidade do filme, no entanto, está no roteiro, que foge da abordagem óbvia e histórica sobre a figura de King, colocando o ativista como parte do contexto, como uma das “peças” do movimento. Com isso, o longa retrata a figura de um homem, não de um mito.

Cada povo, país ou segmento da sociedade pode ter lutas diferentes, mas os exemplos são universais. “Selma” é uma bela maneira de entrar em contato com a batalha de Martin Luther King pela igualdade de direitos, algo que, mesmo que o tempo tenha passado, ainda precisamos reforçar. Ainda temos pontes a atravessar, afinal, como disse o ativista, qualquer injustiça é uma ameaça a todos.