Por Erick Rodrigues

Muitas vezes, injustamente, diga-se de passagem, os pais são colocados em uma posição de coadjuvantes nas famílias, com as mães ocupando as atenções principais, especialmente quando se fala em questões afetivas. Isso é, de alguma forma, fruto do papel que, durante muito tempo, eles tiveram em uma sociedade patriarcal e machista, onde o pai era o provedor, sentimentalmente mais distante e um membro mais duro e quase inalcançável do núcleo familiar.

Felizmente, o passar dos anos e a evolução da sociedade fazem com que, mesmo que a passos não tão rápidos, os pais tenham esse papel revisto e possam se libertar das amarras impostas por esse ambiente de conceitos ultrapassados. Agora, cada vez mais, os pais estão se incluindo na criação afetiva dos filhos, buscando mais envolvimento e tempo de qualidade com as crianças.

Há muitas formas de paternidade: alguns são os famosos “pães”, terno designado aos pais que, por diversos motivos, também assumem os papeis das mães; também existem crianças que têm dois pais; e ainda há aqueles que apenas exercem esse sentimento por consideração.

O cinema já criou bons exemplos de pais e nada melhor do que a proximidade com a data comemorativa deles para lembrar alguns personagens e filmes marcantes que destacam a paternidade:

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– Nebraska

Como todo bom road movie, “Nebraska”, do diretor Alexander Payne, usa uma viagem para mostrar uma jornada de descoberta e enriquecimento pessoal. David (Will Forte) decide acompanhar o pai, Woody Grant (Bruce Dern), que insiste acreditar ter sido premiado com um milhão de dólares, através de uma propaganda enviada pelo correio. Mesmo não levando fé no prêmio, David faz companhia ao pai e, durante o percurso, a relação, que nunca foi muito boa, ganha novos contornos. Com uma fotografia primorosa, toda em preto e branco, “Nebraska” traz uma abordagem sensível e comovente sobre a relação pai-filho. Outro destaque é a atuação da dupla Will Forte e Bruce Dern, que são apoiados pelo delicado desempenho de June Squibb, que faz a matriarca da família.

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– Questão de Tempo

Quando completa 21 anos, Tim (Domhnall Gleeson) descobre um segredo de família: o pai (Bill Nighy) conta que ele pertence a uma linhagem de viajantes do tempo. Mesmo parecendo estranho no início, a habilidade de poder voltar ao passado para refazer acontecimentos empolga Tim, que decide usar essas viagens para conquistar o coração de uma mulher. O jovem logo descobre, no entanto, que todas as alterações dos fatos no passado podem ter consequências inesperadas no futuro. Apesar de ter uma participação pontual em “Questão de Tempo”, o personagem de Bill Nighy tem importância fundamental e sentimental para a trama, que diverte e emociona. Os encontros entre pai e filho são caracterizados por carinho e aprendizado, como deveriam ser todas as relações paternas.

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– O Filme da Minha Vida

Depois de um período de estudos fora, Tony Terranova (Johnny Massaro) decide voltar para sua cidade natal, na Serra Gaúcha, e descobre que o pai, Nicolas (Vincent Cassel), decidiu deixar a família e voltar para a França. A ausência do pai marca a vida do jovem, que passa a viver apenas com a mãe e apoiado por Paco (Selton Mello), o amigo de Nicolas. Constituindo uma vida na cidade, que envolve a carreira e o amor, Tony sente profundamente a falta da figura paterna até descobrir que tudo não aconteceu como Nicolas dizia querer. Com a direção inspirada de Selton Mello e a fotografia excepcional de Walter Carvalho, “O Filme da Minha Vida” usa inspirações do cinema europeu para mostrar as descobertas de um garoto que vive as primeiras experiências da vida adulta sem a figura do pai e o quanto a influência paterna pode influenciar a vida de alguém.

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– Procurando Nemo

Ser pai é superar medos e inseguranças em nome do filho. Foi exatamente isso o que fez Marlin, o peixe-palhaço superprotetor que fica apreensivo com a ida do filho Nemo à escola. Mesmo cercado dos conselhos do pai, Nemo acaba sendo capturado e vai parar muito longe de casa. Por conta disso, e com a ajuda da engraçada Dory, Marlin cruza os sete mares seguindo os rastros do filho, para tentar salvá-lo. “Procurando Nemo” mostra, com delicadeza e humor, a relação entre pais e filhos, que pode ser enriquecida com as experiências de ambos. A superproteção de Marlin, no início, justificada pelo amor do peixe-palhaço por Nemo, dão lugar à coragem de enfrentar as mais diferentes situações em nome da paternidade.

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– O Sol é Para Todos

Baseado no livro de Harper Lee, “O Sol é Para Todos” não é necessariamente um filme sobre paternidade, mas mostra os esforços de um pai para transmitir ensinamentos e proteger os filhos. Na história, Atticus Finch (Gregory Peck) é advogado e decide defender um lavrador negro em uma cidade tomada por preconceito no sul dos Estados Unidos. Sob o ponto de vista das crianças, a trama mostra como a população local reage ao julgamento do acusado de ter estuprado uma mulher da região. Além de lidar com questões relacionadas ao preconceito, “O Sol é Para Todos” também mostra a relação de amor de Atticus com os filhos, que envolve ensinamentos, doçura e proteção, especialmente quando as crianças viram alvos da ira dos moradores revoltados com o caso.

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– Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas

A relação de Will (Billy Crudup) com o pai, Edward Bloom (Albert Finney), andava estremecida por conta do jeito fantasioso e exagerado com que esse último enxerga a vida. Cansado dos acontecimentos extraordinários relatados pelo pai, Will viaja de volta para casa quando descobre que Edward está doente. Esse retorno se transforma em uma nova oportunidade para tentar entender essa característica do pai, relembrando relatos sobre a trajetória dele. Dirigido por Tim Burton, “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas” mostra um pai com um olhar lúdico sobre a vida, que transforma acontecimentos ordinários em mágicos relatos, que, mesmo não fazendo sentido para o filho, deixam uma marca e um entendimento importante para o momento em que a figura paterna não estiver mais presente.

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– Capitão Fantástico

Os pais querem o melhor para os filhos, o que não exclui a possibilidade de exagerarem um pouco na dose. É o caso de Ben (Viggo Mortensen), que decide criar os seis filhos longe da civilização. No meio de uma floresta, as crianças aprendem a sobreviver com poucos recursos, caçar e se defender de adversidades. Nesse processo, no entanto, os filhos são obrigados a entrar em contato com as novidades de uma cidade grande e, apesar do amor infinito de Ben, fica evidente que todos os ensinamentos não foram suficientes para preparar as crianças para a vida, algo que talvez nem mesmo seja possível. Com a direção de Matt Ross, “Capitão Fantástico” é um filme tocante sobre carinho, estilo de vida, libertação e a preparação para o mundo, que, mesmo imperfeita, é marcada por amor.

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– O Rei Leão

A animação da Disney mostra a trajetória de Simba, o jovem leão que, um dia, vai herdar todo um reino. O ímpeto juvenil faz com que Simba tenha conflitos com o pai, Mufasa, que tenta orientar o filho sobre obrigações e ameaças da vida. Em uma situação de perigo, Mufasa tenta salvar o filho, mas acaba morrendo. Para aproveitar a oportunidade, Scar, o tio de Simba, convence o jovem leão de que ele é culpado pela morte do pai e, por isso, ele foge e cresce longe da família. A inspiração do pai faz com que Simba decida voltar para enfrentar Scar, que se impõe como rei. A influência paterna de Mufasa conduz toda a trama de “O Rei Leão”, que mostra os conflitos de gerações e como os ensinamentos dos pais pode influenciar no futuro dos filhos.