Por Erick Rodrigues

Há quem diga que mãe é tudo igual, só muda de endereço. O cinema, no entanto, já mostrou que a maternidade pode ter várias facetas e criar mulheres muito diferentes. Amorosas, abnegadas, rígidas, liberais, de sangue, de consideração. Há, também, as que se arrependem de não terem resolvido as diferenças com os filhos, as que também são pais e aquelas que escolhem abrir mão de um contato mais intenso para tentarem proporcionar o melhor para seus herdeiros. Dizem que mãe só tem uma, mas alguns têm duas ou até mais delas.

Pensando no Dia das Mães que se aproxima, decidi reunir oito mães do cinema, que renderam boas histórias e mostraram, de alguma forma, o significado da maternidade. Vamos a elas:

Foto – Divulgação

– Leigh Anne (Sandra Bullock), em “Um Sonho Possível”

Vencedora do Oscar pela personagem, Sandra Bullock deu vida a uma mulher que, mesmo com dois filhos e uma vida economicamente confortável, se sensibilizou com Michael (Quinton Aaron), um jovem que vivia sozinho e passava as noites em lugares diferentes, muitas vezes ao relento, sem ter para onde ir. Tocada pela situação, ela coloca Michael no carro e o leva para casa, disposta a proporcionar uma vida melhor ao garoto, que passou por problemas familiares na infância. Inspirado em uma história real, “Um Sonho Possível” tem uma narrativa tradicional e sem surpresas, mas muito precisa quando o foco é a emoção. Trazendo discussões sobre humanidade e preconceito, o longa aposta tudo em Sandra Bullock, que não faz feio e apresenta uma interpretação convincente e bonita.

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– Mildred Hayes (Frances McDormand), em “Três Anúncios para um Crime”

O que a morte de um filho pode fazer a uma mãe? No caso da protagonista de “Três Anúncios para um Crime”, um dos melhores filmes dos últimos anos, a dor da perda da filha faz com que essa mulher embarque em uma jornada de raiva e busca por justiça, muitas vezes perseguida pelos caminhos errados. Através do olhar intenso de Frances McDormand, vencedora do Oscar pelo papel, o longa mostra a atitude de Mildred para conseguir respostas sobre o assassinato da filha. Para isso, ela aluga três outdoors, que são usados para expor a inércia da polícia local em resolver o caso. Praticamente uma “força da natureza”, Frances conduz o espectador pela jornada de Mildred, que lida com as reações daqueles que discordam das ações dela até uma descoberta que vai mudar seu jeito de olhar a questão.

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– Joy (Brie Larson), em “O Quarto de Jack”

Uma mãe é capaz de tudo para proteger o filho, inclusive criar um mundo inteiro para esconder a crueldade dele e tentar evitar sofrimento. É o caso de Joy, sequestrada e mantida por anos em um cativeiro por um homem chamado apenas de Velho Nick (Sean Bridgers). Vivendo ao lado do filho em um espaço de poucos metros quadrados, essa mãe cria um universo lúdico para que Jack (Jacob Tremblay) não perceba a real situação em que vivem. A relação dos dois ganha novos desafios quando eles fogem do cativeiro e precisam encarar o mundo real, ainda bem desconhecido para o menino. Comovente, “O Quarto de Jack” acerta com a abordagem da história, guiada pelo olhar ingênuo do menino sobre a realidade, além de trazer uma bela interpretação de Brie Larson.

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– Jules (Julianne Moore) e Nic (Annette Bening), em “Minhas Mães e Meu Pai”

Se amor de mãe já é bom, imagine de duas. Casadas há quase duas décadas, Jules e Nic tiveram dois filhos por meio de inseminação artificial. Sem que elas saibam, os jovens decidem conhecer o pai biológico e vão atrás de Paul (Mark Ruffalo). A situação, que já era delicada para o casal, fica ainda mais complicada quando o doador passa a fazer parte da rotina da família, bagunçando um pouco o convívio entre eles. Com bom humor e sensibilidade, “Minhas Mães e Meu Pai” é um filme sobre o amor e a composição de novas estruturas familiares. Para isso, os desempenhos de Julianne Moore e Annette Bening fazem a diferença.

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– Val (Regina Casé), em “Que Horas Ela Volta?”

A empregada doméstica do filme de Anna Muylaert abdicou da criação da filha e veio do Nordeste para São Paulo com a intenção de proporcionar mais recursos a ela. Na capital paulista, ela vai trabalhar na casa de uma família de classe alta e passa a ajudar da criação de Fabinho (Michel Joelsas), o filho da patroa. Anos depois, ela recebe Jéssica (Camila Márdila), que vai prestar vestibular. A aproximação da filha expõe universos muito diferentes, mas também proporciona uma possibilidade maior de contato entre elas. De quebra, o olhar de Jéssica pode ajudar a mãe a descobrir que, mesmo sendo apresentada como “quase da família”, ela está bem distante de ser tratada como merece.

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– Manuela (Cecilia Roth), em “Tudo Sobre Minha Mãe”

No dia do aniversário do filho Steban (Eloy Azorín), Manuela dá de presente a ele um ingresso para ver a peça “Um Bonde Chamado Desejo”, protagonizada pela famosa atriz Huma Rojo (Marisa Paredes). Após o espetáculo, Steban tenta pegar um autógrafo da estrela, mas é atropelado e acaba morrendo. Diante da tragédia, Manuela decide procurar o pai do jovem para dar a notícia, e, no caminho, acaba criando elos com a travesti Agrado (Antonia San Juan), a freira Rosa (Penélope Cruz) e com a estrela da peça, assumindo, inclusive, uma postura de cuidado quase maternal com elas. Lançado no fim da década de 90, “Tudo Sobre Minha Mãe” é considerado, até hoje, uma obra-prima do diretor espanhol Pedro Almodóvar.

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– Olivia Evans (Patricia Arquette), em “Boyhood”

– A tarefa de ser mãe não é fácil, ainda mais quando também é necessário assumir algumas funções de pai. No filme do diretor Richard Linklater, Olivia mora com os filhos, Mason (Ellar Coltrane) e Samantha (Lorelei Linklater) e enfrenta uma rotina que envolve a criação deles, a vida amorosa e a carreira. Separada, ela assume o papel do pai dos garotos (Ethan Hawke) em muitos momentos e, com uma visão menos convencional tenta deixar os filhos o mais livres. Além da trama familiar, “Boyhood” traz uma proposta de convidar o espectador a contemplar a vida, já que o diretor escolheu retratar a passagem do tempo dos personagens. Para isso, Linklater demorou 12 anos para filmar tudo, sempre focando nos aspectos mais triviais do dia a dia.

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– Juno MacGuff (Ellen Page), em “Juno”

A maternidade é um desafio para muitas mulheres, mas, na adolescência, ela pode vir acompanhada por um turbilhão mais intenso de inseguranças, emoções e incertezas. A protagonista de “Juno” engravida aos 16 anos e se vê diante de uma situação inesperada. A ideia inicial de fazer um aborto logo é deixada de lado e a jovem decide, então, levar a gravidez adiante e entregar a criança para adoção. A busca por uma filha mais estruturada faz Juno chegar a Vanessa (Jennifer Garner) e Mark (Jason Bateman), um casal que está disposto a assumir todos os cuidados e despesas da jovem durante a gestação. Com um olhar bem humorado, o filme mostra o despertar da protagonista para as emoções e escolhas da maternidade, que veio antes mesmo das outras responsabilidades da vida.