“Missão: Impossível – Efeito Fallout” é filmaço de ação e reforça vigor da franquia

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Por Erick Rodrigues

Sustentar uma franquia por mais de vinte anos, definitivamente, não é uma tarefa fácil. Manter o interesse do público a cada novo filme e, ao mesmo tempo, mostrar capacidade de renovação para agradar fãs e novos espectadores exige, sobretudo, planejamento e inteligência. Em seis longas, “Missão: Impossível”, mesmo com alguns escorregões, se revelou um ótimo exemplo de franquia que soube demonstrar vigor criativo com o passar do tempo. Agora, com “Efeito Fallout”, em cartaz nos cinemas, a série volta reforçando as principais características e prova, mais uma vez, que é uma das maiores do cinema de ação.

Depois de desmantelar o grupo criminoso conhecido como Sindicato em “Nação Secreta”, o agente Ethan Hunt (Tom Cruise) é convocado, agora, para mais uma missão: impedir que três esferas de plutônio caiam em mãos erradas e ameacem o futuro da humanidade. A primeira tentativa para ficar com os artefatos, no entanto, é frustrada pela ameaça à vida de Luther (Ving Rhames).

A falha faz com que o plutônio vá parar nas mãos de um grupo que deseja negociar os artefatos com um conhecido criminoso e, em troca, conseguir a liberdade de Solomon Lane (Sean Harris), capturado no filme anterior e que, agora, passa pelas mãos de diversos governos que querem descobrir os segredos carregados por ele. Hunt planeja participar da negociação e impedir que o plutônio e Lane ameacem o planeta.

Os erros da primeira operação de Hunt não agradam a chefe da CIA, Erica Sloan (Angela Bassett), que questiona os métodos do grupo de trabalho do espião. Por conta disso, ela exige que a missão de resgate ao plutônio também conte com a ajuda de August Walker (Henry Cavill), um agente que não se importa em matar para atingir os objetivos.

Além da articulação com o grupo de trabalho, que também conta com o auxílio de Benji (Simon Pegg) e Alan Hunley (Alec Baldwin), Hunt também tem um reencontro inesperado com Ilsa (Rebecca Ferguson), que aparece com interesses diferentes do protagonista.

Desde “Protocolo Fantasma”, a franquia “Missão: Impossível” vem mostrando inteligência para sustentar os filmes, o que se repetiu agora. A compreensão de Christopher McQuarrie, diretor que também assina o roteiro, sobre os elementos fundamentais para um bom filme de ação chega ao ápice em “Efeito Fallout”, que se destaca pela trama muito bem amarrada e pelo planejamento para criar sequências movimentadas e barulhentas, que caracterizam o gênero.

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Quem acompanha a franquia percebe que esse sexto filme traz um roteiro mais bem elaborado, que, na medida do possível, valoriza uma trama mais complexa e interessante. Fica claro que há um cuidado para a criação das sequências de ação, fundamentais para amarrar todos os acontecimentos. Mesmo que elas remetam a cenas já vistas em outros longas, não há repetições dentro da história, o que deixa evidente o planejamento desse detalhe, que faz toda a diferença. O resultado é um filme preenchido, com escolhas corretas e equilíbrio entre a trama e as cenas de ação, que fazem com que as duas horas e meia de tela passem bem rápido.

O roteiro de “Efeito Fallout” também usa, com muita inteligência, características do passado de Ethan Hunt para “temperar” a história e justificar os caminhos dos vilões. Com a valorização da ação e dos personagens, o alívio cômico, recurso que se tornou muito comum no gênero, escapa de excessos e aparece na medida certa no filme, sem comprometer o ritmo acertado da narrativa. Há, é claro, alguns clichês do gênero presentes, que deixam a história óbvia em alguns momentos, mas que não comprometem o resultado final. De certa forma, é até compreensível que esse tipo de longa tenha algumas “muletas”, que servem para criar reviravoltas e fazer a história andar.

Em relação ao elenco, todos cumprem bem com as funções desejadas. Tom Cruise, que nunca foi um bom ator, mostra de novo que serve bem ao gênero e que encontrou, na figura de “estrela de ação”, sua relevância para o cinema. Apesar de parecer maluquice em alguns momentos, é inegável que a escolha dele por dispensar os dublês e fazer as sequências mais perigosas faz diferença. Henry Cavill também cumpre com o papel designado a ele e Angela Bassett pode ser uma aquisição interessante para a franquia.

“Missão: Impossível – Efeito Fallout” é um filme de ação sem pudores, que explora bem todas as características do gênero e, de forma inteligente, busca elementos para valorizar ainda mais a trama. Sequências de ação absurdas, bem coreografas e barulhentas, usadas na medida certa dentro de um roteiro redondo, fazem desse sexto filme um dos melhores da franquia, que não se envergonha de ser puro entretenimento e, ainda assim, mostrar as melhores qualidades do bom cinema.

MISSÃO: IMPOSSÍVEL – EFEITO FALLOUT

COTAÇÃO: ótimo