Por Erick Rodrigues

Dois astros da música mundial vão ter, nos próximos meses, as trajetórias pessoais e artísticas retratadas nos cinemas. Em filmes já bastante aguardados pelos fãs, Freddie Mercury, vocalista da banda Queen, e Elton John são os mais recentes personagens do universo musical a ganhar cinebiografias, mas o interesse da sétima arte pelas carreiras desses artistas não é nenhuma novidade.

Com estreia marcada para 1º de novembro, “Bohemian Rhapsody” promete mostrar os caminhos percorridos pelo Queen da formação ao sucesso mundial, sempre com foco em Freddie Mercury, interpretado pelo ator Rami Malek. A vida amorosa e as superações de obstáculos do artista também devem estar presentes na obra, que começou a ser dirigida por Bryan Singer e foi finalizada por Dexter Fletcher, depois que o primeiro foi demitido pela Fox por comportamento antiprofissional nas filmagens.

Além do astro do rock, um ícone da música pop também vai ter a história contada nas telonas. “Rocketman”, também dirigido por Dexter Fletcher, traz a promessa de abordar a trajetória de Elton John, desde a juventude, a partir de um olhar mais lúdico, que combina com o trabalho e a carreira do cantor. Aqui, caberá a Taron Egerton viver um dos artistas mais consagrados do mundo. A estreia está marcada para maio de 2019.

O cinema sempre serviu de canal para retratar e levar ao público biografias curiosas, inspiradoras ou, até mesmo, sombrias, sejam elas de pessoas comuns ou renomadas figuras das artes, do esporte, da ciência, e por aí vai. Pensando nisso, e ficando restrito ao universo da música, decidi reunir cinco boas cinebiografias para ver antes das estreias de “Bohemian Rhapsody” e “Rocketman”, quando Freddie Mercury e Elton John também passam a fazer parte da lista de personagens de cinema.

BOAS CINEBIOGRAFIAS PARA VER

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Cazuza – O Tempo Não Para (2004)

Sandra Werneck e Walter Carvalho levaram às telonas a vida desse grande artista brasileiro, cuja obra segue fazendo sentido para quem escuta, seja no aspecto pessoal ou nas críticas ao Brasil e à sociedade. Interpretado por Daniel de Oliveira, em um momento inspirado da carreira, Cazuza viveu as emoções da vida em um ritmo frenético, atropelando, muitas vezes, a prudência. No longa, o espectador pode ver os primeiros sinais da veia artística de Cazuza, a formação do Barão Vermelho, a condução da carreira solo e as dificuldades dele no fim da vida, debilitado pela luta contra a aids. Como não poderia deixar de ser, a trilha sonora de “Cazuza – O Tempo Não Para” valoriza a poesia e os principais sucessos do artista, que segue tendo uma legião de fãs.

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Ray (2004)

No mesmo ano em que Cazuza chegou aos cinemas, outro artista, desta vez de renome internacional, também teve a vida retratada em um filme. A conturbada trajetória de Ray Charles, um dos maiores nomes do jazz, fez o ator Jamie Foxx levar um Oscar pela interpretação quase mediúnica do astro, que arrebatou plateias com o inegável talento. As dificuldades na infância, especialmente por conta da perda da visão, e o sucesso arrebatador são alguns dos principais pontos de “Ray”, que também retratou os problemas pessoais do artista, afetado pelas drogas e pelo envolvimento com muitas mulheres. A atuação de Foxx é o fator hipnotizante do filme e, em muitos momentos, não é difícil de acreditar que estamos diante do próprio cantor.

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Johnny & June (2005)

Ícone da música country norte-americana, o cantor e compositor Johnny Cash também inspirou a sétima arte, especialmente por conta da relação com a cantora June Carter, um amor nem sempre tranquilo. No longa de James Mangold, o casal é vivido por Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon, que levou o Oscar de melhor atriz pelo papel.O relacionamento dos dois começa durante uma turnê de Cash, até então um astro em ascensão. A parceria, que também se repetia nos palcos, tinha momentos tensos, especialmente por conta do estilo de vida do cantor. O desempenho de Phoenix como Johnny Cash também é um dos pontos altos do longa, que traz, na trilha sonora, alguns dos principais sucessos da carreira do artista.

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Elis (2016)

Uma das maiores cantoras brasileiras não poderia ficar fora do cinema. Depois de ser tema de livros e de um musical no teatro, Elis Regina ganhou uma cinebiografia, protagonizada pela atriz Andreia Horta, que conseguiu se aproximar muito fisicamente da artista. Em “Elis”, além da busca por uma carreira de sucesso na música, o espectador também entra em contato com a personalidade forte da cantora, que não levava desaforo para casa e enfrentava tudo pelo que acreditava, inclusive a truculência da ditadura militar. Mesmo não se aprofundando em diversas questões, o longa de Hugo Prata acerta na retratação do cenário da Música Popular Brasileira do período e na condução do elenco, especialmente no direcionamento do trabalho detalhista de Andreia Horta.

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Piaf – Um Hino ao Amor (2007)

De certa forma, o que une os filmes dessa lista são os trabalhos dos atores, que foram felizes na retratação desses nomes da música. Nenhum deles, no entanto, talvez tenha tido o êxito de composição de personagem que teve Marion Cotillard, que deu vida à cantora Edith Piaf, um dos maiores ícones do cenário musical francês. Intensa como as canções que entoava, Piaf abre muitas portas por conta da qualidade vocal, mas também passa por dificuldades, como o vício em drogas. A direção de Olivier Dahan, aliada ao roteiro, constrói uma bela cinebiografia, mas que não teria a mesma força sem o trabalho de Marion Cotillard, que faz uma construção corporal impressionante. Não à toa, a atriz ganhou vários prêmios com a personagem, inclusive o Oscar.