Por Erick Rodrigues

O Brasil vive um turbulento momento político, marcado especialmente por radicalismos, divisões, ódio, insegurança e, até mesmo, violência. No próximo domingo (7), a população vai às urnas para escolher o próximo presidente, senadores, deputados e governadores da nação e, mesmo que a disputa se arraste para um segundo turno em alguns dos cargos, parte da nossa história e do caminho que vai ser percorridos daqui para frente começa a ser traçado na data.

Além da polarização e dos desentendimentos por posicionamentos políticos, que afetaram amizades verdadeiras e o convívio virtual entre as pessoas, a campanha eleitoral deste ano expôs, em certos momentos, a profunda falta de conhecimento de alguns por fatos históricos do Brasil e até do mundo.

As eleições deste ano, por exemplo, trouxeram de volta discussões sobre o período da Ditadura Militar, que vigorou entre 1964 e 1985. Algumas vozes surgiram para reclamar da falta que faz a truculência e restrições impostas durante essa fase, justificando isso com o argumento de que o país enfrenta problemas pela falta de “ordem”. Vimos conhecidos torturadores exaltados e colocados em pedestais e, inclusive, negativas de que a ditadura tenha sido ruim.

Apesar de saber que a história do país deve ser conhecida em livros, pesquisas, museus e documentários, filmes de ficção também podem ter um papel importante nessa jornada de busca por conhecimento, caso ela seja pretendida. Mesmo com recursos e desfechos fictícios, um longa-metragem pode servir como uma “porta de entrada” para o interesse sobre assuntos do gênero.

Pensando nisso, resolvi listar cinco filmes sobre fatos e épocas que marcaram a política brasileira e que podem servir para começar uma jornada pelo passado do nosso país. Vamos a eles:

FILMES SOBRE A POLÍTICA BRASILEIRA

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– Pra Frente, Brasil (1982)

Enquanto alguns contestam fatos e efeitos da Ditadura Militar sobre a nação, o filme de Roberto Farias mostra como funcionava a lógica e a truculência dos defensores do regime. No longa, Jofre (Reginaldo Faria) é um cidadão de classe média confundido com um ativista político, considerado subversivo pelo governo militar. Por conta disso, ele é sequestrado por agentes federais e torturado para que confesse algo que sequer faz parte da vida dele. O desaparecimento faz a esposa e o irmão de Jofre, vividos por Natália do Vale e Antonio Fagundes, entrarem em conflito com as autoridades e se envolverem com o movimento contrário à ditadura. Tudo isso acontece em plena Copa do Mundo de 1970, mostrando a euforia dos brasileiros com o futebol enquanto os acontecimentos políticos tomam as ruas.

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– Eles Não Usam Black-tie (1981)

Baseado na peça teatral de Gianfrancesco Guarnieri, a versão para o cinema de “Eles Não Usam Black-tie” também tem a ver com a Ditadura Militar, mas trata especificamente do fim da influência desse período e do cenário anterior à chegada da democratização. O filme de Leon Hirszman mostra as marcas deixadas pelo regime ditatorial e a eclosão dos movimentos sindicais no país, muito presentes na construção da política nacional. Na trama, Tião (Carlos Alberto Riccelli) trabalha em uma fábrica, mas teme perder o emprego quando surge uma ameaça de greve, encabeçada por Otávio (Guarnieri), o pai dele. A posição de Tião, que fura a greve e colabora com os patrões na espionagem dos demais funcionários, coloca pai e filho em lados opostos e ainda compromete o relacionamento dele com Maria (Bete Mendes).

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– O Homem da Capa Preta (1986)

Dirigido por Sérgio Rezende, “O Homem da Capa Preta” pode parecer, a princípio, apenas uma cinebiografia, mas, eu garanto, é muito mais do que isso. O longa apresenta a história de Tenório Cavalcanti (José Wilker), homem que ascendeu politicamente na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, usando a violência, o assistencialismo e um discurso que execrava a classe política dominante. Visado pelos inimigos e alvo de diversos atentados, Tenório cria uma fama controversa, com atitudes criticadas por alguns e aplaudidas por outros. Não é difícil encontrar pontos de debate sobre a política brasileira atual, como o populismo e o endeusamento de uma figura controversa, tida como “salvadora”. Além disso, também é possível analisar como a violência pode estar inserida na política, especialmente através de casos de coação e assassinatos.

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– Getúlio (2014)

“Saio da vida para entrar na história”. Essa é a frase mais conhecida da carta-testamento deixada pelo presidente Getúlio Vargas, que cometeu suicídio em 1954. Na estreia em filmes de ficção, o diretor João Jardim escolheu retratar os últimos e conturbados dias de vida da controversa figura histórica que governou o país. Interpretado por Tony Ramos, Vargas vive uma grave crise política, causada por um atentato contra Carlos Lacerda (Alexandre Borges), um conhecido inimigo. Mesmo cedendo a certo didatismo, “Getúlio” consegue transmitir os acontecimentos do período e ainda explora aspectos pessoais do presidente, especialmente em cenas que mostram a relação dele com a filha Alzira (Drica Moraes). Pressionado a renunciar ao cargo, Vargas recorre à famosa carta-testamento e toma a drástica atitude de tirar a própria vida.

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– Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro (2010)

Depois do sucesso do primeiro filme, a franquia “Tropa de Elite” ganhou uma segunda parte e fez ainda mais sucesso. A qualidade, no entanto, vai além de levar o público às salas de cinema. Na continuação, o diretor José Padilha mergulha mais fundo na intenção de discutir questões políticas e coloca o Capitão Nascimento (Wagner Moura) na Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro. No cargo, ele descobre as dificuldades de combater o sistema estabelecido, que mistura maus hábitos políticos à conduta corrupta de outras classes, criando uma mútua sustentação. Aqui, novamente a violência é inserida na política e contribui para o debate do tema.