“A Forma da Água” e “Três Anúncios” chegam ao Oscar deste ano como favoritos

A Forma da Água - Foto: Divulgação

Por Erick Rodrigues

A cerimônia dos 90 anos do Oscar, que acontece no domingo (4), em Los Angeles, tem dois filmes que despontam como favoritos ao principal prêmio da noite: “A Forma da Água” e “Três Anúncios Para Um Crime”.

Em um ano de disputa equilibrada, com filmes muito diferentes entre si e de qualidade, “A Forma da Água”, do diretor mexicano Guillermo Del Toro, começou a disputa pela estatueta com vantagem. Foi lembrado em 13 categorias e venceu prêmios dos sindicatos dos produtores e críticos norte-americanos.

Com temas pouco originais, o filme de Del Toro acaba se mostrando uma fábula de “encher os olhos”, que usa uma estética impecável para falar sobre amor e solidão. Na trama, a faxineira muda Elisa (Sally Hawkins) se apaixona por uma criatura aquática, uma mistura de homem, peixe e réptil, que é mantida em um laboratório norte-americano em plena Guerra Fria.

Utilizando elementos fantásticos e alegorias, a narrativa usa a relação incomum entre a mulher e a criatura para falar de amor, aparência e preconceito. O longa questiona julgamentos e rótulos ao mostrar que o verdadeiro monstro de uma história não é, necessariamente, aquele que aparenta ser.

Através dos personagens, o filme claramente também cria discussões sobre a exclusão de pessoas julgadas como “diferentes”.

“A Forma da Água” é um filme de efeito imediato, que impressiona pela estética influenciada por histórias de monstros e fábulas clássicas. A obra, contudo, não possui força suficiente para permanecer na cabeça do espectador por muito tempo após os créditos finais.

Três Anúncios Para Um Crime – Foto: Divulgação

Crescente favorito

“Três Anúncios Para Um Crime” foi construindo, desde a vitória no Globo de Ouro, uma trajetória crescente, que culminou com o favoritismo dividido com “A Forma da Água”, que, por conseqüência, perdeu um pouco da força na disputa.

O sucesso do filme de Martin McDonagh é compreensível. A história de Mildred Hayes (Francis McDormand), uma mãe movida pela raiva e a tristeza geradas pelo assassinato da filha, acaba sendo um espelho dos tempos extremos em que vivemos.

Revoltada com o andamento das investigações do crime, a personagem aluga três outdoors para denunciar a inércia da polícia sobre o caso e cobrar as autoridades por uma solução.

Impulsionado pela atuação vigorosa de Francis McDormand, o longa cria um microcosmos da nossa realidade, marcada, nos dias atuais, por demonstrações públicas de raiva e extremismos, que resultam em tensão constante e, algumas vezes, em violência.

Com personagens complexos, distantes dos conceitos de bem e mal, “Três Anúncios Para Um Crime” pode sair vencedor do Oscar por nos confrontar com uma visão profunda sobre a sociedade em que vivemos, muito influenciada por discursos inflamados e raiva.