Sorocaba irá receber, no próximo sábado (7), a festa ‘Go Drag’. O evento, voltado para drag queens, acontece a partir das 23 horas no Asteroid Entretenimento.

Esta será a quinta edição da festa, que faz parte do projeto chamado ‘Desmonte’. Quem comparecer à festa pode esperar performances de tirar o fôlego das oito drag queens do projeto. “Em outras edições da festa já tivemos drag kings, que são meninas interpretando drags, performando. Nosso intuito é abrir espaço para todas. A única coisa que não é bem vinda é o preconceito e a intolerância”, afirma Lauren Giraldi, produtora de eventos e empresária da Crop Circles Buzz.

Na ‘Go Drag’ estão previstas competições de dublagem de músicas pop entre o público presente. Outro ponto alto do evento será a exposição de fotos das drags em que o público poderá prestigiar bem de perto.

Os dj’s da noite serão Luana Salum, Jessica Giancotti e Lucas Abate. O valor de entrada é de R$20,00 na portaria ou R$15,00 antecipado no link: https://www.sympla.com.br/go-drag-desmonte__193004.

Projeto “Desmonte”

Uma vida de preconceito, julgamento, exclusão. Como passar por tantas situações negativas e, ainda assim, levar alegria e arte para as pessoas? Pensando nisso, o coletivo Caneca Sorocaba criou o projeto ‘Desmonte’. Uma exposição de fotos, um documentário e uma série de eventos com performances compõem a programação que acontecerá na própria cidade. O objetivo é divulgar o trabalho das drag queens sorocabanas e conscientizar as pessoas sobre o que é esta arte.

José Augusto da Silva, mais conhecido como Kiko, 20 anos, é um dos organizadores do Desmonte: “Para este projeto, os trabalhos começaram em julho deste ano. As fotos são da fotógrafa sorocabana Marina Miranda. O documentário tem previsão de lançamento para novembro. Todo o processo de gravação foi muito lindo e divertido. É inspirador ver todo o preconceito que as drag queens passam e, ainda assim, nunca abaixam a cabeça. É uma força indescritível! Infelizmente, o preconceito ainda é muito grande. Durante as gravações tivemos que lidar com muitos olhares tortos e agressões verbais”, conta.

O documentário mostra a rotina das drag queens e toda a sua luta para serem reconhecidas. Wesley Fóes tem 20 anos e dá vida à drag Franschesca “O Desmonte está sendo um projeto pioneiro e muito necessário em nossa região. Não temos espaço para expor nossos pensamentos. Geralmente o público conhece a drag queen apenas performando nos palcos. Para nós, estar no palco é um momento intenso de militância. Em minhas apresentações, costumo levar mensagens de empoderamento e conceitos de nossa arte”, explica.

Para Daniel Pereira Bartolomeu, que interpreta a drag queen Ágata Mitch, o documentário foi uma oportunidade de ter voz: “Em uma parte, nós recitamos: ‘A liberdade incomoda’. Isso porque, além de mostrar a mulher de uma forma totalmente diva, nossa arte é um pouco de toda essência, de cada luta e de como expor isso para a sociedade. Queremos ser livres”, conta e completa falando sobre a cena em Sorocaba: “Ser drag queen aqui é muito difícil. Temos pouquíssimo espaço. Projetos que dão visibilidade para esta arte ser explicada e conhecida nos dá mais oportunidades, apoio e, principalmente, respeito. Participar desse projeto foi revolucionário e um marco para todas nós, drag queens. Tudo isso nos muniu de forças para continuar a quebrar tabus e paradigmas”, ressalta Daniel.

Ele também fala sobre a importância da educação e conscientização da sociedade em relação ao respeito: “O meu maior desejo é, por meio da Ágata, conseguir alcançar o maior número de pessoas, levando assuntos de utilidade pública, quebrando os preconceitos. Nesses dias difíceis que estamos vivendo, cercado de muito preconceito e ódio por todo lado, umas das primeiras barreiras a ser quebrada é a de conquistar o respeito. Tenho certeza que, depois disso, poderemos chegar aonde quisermos”, finaliza Daniel.

Wesley completa: “Projetos como o Desmonte e a festa Go Drag, por exemplo, são de extrema importância para a cena drag queen em Sorocaba, já que trazem muita visibilidade e fortalecimento. Eventos como esses, abrem portas para vários artistas e servem como maternidade para novas drags que se montam especialmente para o evento, no caso da Go Drag”, conclui.

Coletivo Caneca Sorocaba prepara outros projetos para fortalecer cena LGBT

Além do Desmonte, Kiko adianta que o coletivo Caneca Sorocaba está planejando outros projetos ainda para este ano: “Em parceria com o Aliadas Produções, começaremos a trabalhar uma web série documental chamada ‘Mudo’, que mostrará como foi o processo de descoberta e revelação aos amigos e familiares de diversos LGBTs. A previsão de lançamento é para 2018. Também estamos trabalhando uma campanha de conscientização às ISTs e Aids, que deve começar a ser divulgada em novembro”, diz.

Caneca Sorocaba – é um coletivo sorocabano criado no início de 2017, com o propósito de enaltecer e trabalhar com as carências do cenário LGBT, feminista e do cenário alternativo de Sorocaba e região. O Caneca Sorocaba é formado por uma equipe de 15 pessoas, LGBTs, com faixa etária entre 18 a 25 anos. Para atingir nosso público, a proposta é, em todos os projetos, utilizar uma linguagem mais explícita, chamativa e direta. Para outras informações a respeito do coletivo, entre em contato por meio do e-mail: canecasorocaba@gmail.com ou pelo telefone: (15) 99627-9128.