Por Gabriel Bitencourt

Antigamente as paredes tinham como uma de suas funções a sustentação das edificações. Tinham, portanto uma função estrutural.

Com o advento do concreto armado elas perderam este papel e com isso passou-se a usar intensamente o vidro, especialmente, nas grandes edificações de caráter comercial.

Essa parece ser uma forte marca na arquitetura nas grandes cidades nos últimos tempos.

O uso do vidro traz discussões sobre a funcionalidade dessas edificações no que diz respeito ao conforto térmico, pois, no calor, os ambientes internos ficam mais quentes e no inverno mais frios. Esta situação acaba exigindo o uso intensivo dos aparelhos de ar condicionado. É um aspecto ecológico relevante a se considerar com relação a este padrão arquitetônico.

Mas o objeto central de nossa abordagem é sobre o quanto esses prédios são inimigos das aves.

Ao verem o reflexo da paisagem, como o céu e árvores, elas se confundem e voam naquela direção como se o vidro não existisse. Boa parte desses impactos causam sua morte.

No Brasil há poucos estudos sobre isso.

Conheço apenas um, que foi realizado em 2006, sobre o impacto das aves na fachada totalmente espelhada do edifício da Procuradoria Geral da República, em Brasília.

Este estudo mostrou que há três colisões a cada dois dias e uma morte a cada três ou quatro dias. Fazendo-se as contas, chega-se ao número de 100 aves mortas por ano, em apenas um edifício. Detalhe: este número diz respeito apenas àquelas que morrem imediatamente no local. Não se contabilizam aquelas que conseguiram voar a uma distância maior, mas que morreram posteriormente pelos efeitos do choque.

Na América do norte, estima-se em um bilhão, o número de aves mortas por ano, em acidentes com paredes de vidro.

Hoje, felizmente, há arquitetos que pensam em uma arquitetura amiga das aves.

Para as estruturas já existentes têm sido usados artifícios como o de se colocar a silhueta de uma ave de rapina – para assustá-las. (1) Outra forma é o uso de ardis que “mostrem “ às aves que aquilo que está à sua frente não é um vão livre (2).

Quando se trata de um pequeno elemento arquitetônico em uma residência unifamiliar, as soluções podem ser mais eficientes, entretanto, para as grandes edificações a situação continua ainda, sendo um desafio para os estudiosos.

A despeito de soluções já pensadas, esperemos que os profissionais da arquitetura considerem este relevante aspecto ecológico em seus futuros projetos arquitetônicos deixando de ser agentes ativos de toda esta mortandade.

(1) Adesivos com imagens de aves de rapina funcionam? Veja artigo do professor Augusto Piratelli – http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/817885/vidracas-os-grandes-inimigos-das-aves

(2)Medidas anticolisão: Veja ao final da excelente matéria publicada no site “Nexo” – https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/05/11/Como-evitar-a-colis%C3%A3o-de-aves-com-pr%C3%A9dios-de-fachada-de-vidro

1 Comentário

Deixe um Comentário

Please enter your comment!
Please enter your name here